Entretien sur Fernando Gil

 

 

1 – O que sublinharia na personalidade de Fernando Gil?

A questčo seria mais: o que nčo sublinhar na personalidade de Fernando Gil? A forća da sua personalidade devia-se talvez ą complexidade da mesma: tinha um temperamento apaixonado, mas extremamente rigoroso e objectivo. Seguia espontaneamente as suas intuićões e era crítico austero das mesmas. Era tčo generoso nos elogios de índole académica, como extremamente duro e exigente. Desejava sempre, estava sempre para lá do hoje, sempre em processo de busca. No que ą investigaćčo respeita, o seu universo nčo conhecia a pausa. Fernando Gil era incansável e absorvente, já que abordava múltiplos temas da área dos saberes com conhecimento e paixčo. Tinha, simultaneamente uma visčo panorČmica e do pormenor fundo. Talvez o que, para mim, mais peso teve na personalidade de Fernando Gil fosse a vocaćčo do saber a toda a prova.

 

 

2 – Qual é em seu entender o seu maior contributo para o desenvolvimento da investigaćčo académica e do pensamento em Portugal?

Tanto a sua obra, como o gosto pelo debate público das ideias e cooperaćčo com outros investigadores, como por exemplo, a criaćčo do Gabinete de Filosofia do Conhecimento, a coordenaćčo de colóquios, seminários e revistas, como a Revista Análise. O facto de viver entre duas culturas, a constante circulaćčo entre Portugal e o estrangeiro, contribuiu para este seu papel de instigador de cultura e da filosofia como cultura, desapegada dos panoramas localizados.

Esta circulaćčo nota-se também na sua obra que institui cruzamentos entre momentos e espaćos de saber, sem por isso deixar de reinterpretar o pensamento portuguźs. Nesse sentido, creio que renovou o pensamento portuguźs, também ao interrogá-lo e ao estendź-lo ąs ciźncias e ą literatura, ou ą língua, e ao abri-lo ą cooperaćčo com outros cientistas.

Para o desenvolvimento da investigaćčo académica, o seu contributo pauta-se também pelas pessoas que fez confluir em torno da investigaćčo.

 

3 – Quando e como o conheceu? Marcou-o decisivamente?

De facto, Fernando Gil já me tinha marcado antes de o ter conhecido como professor de mestrado, e orientador de mestrado e de doutoramento. Foi já depois de conhecer o seu trabalho, e o seu interesse pelas áreas científicas, que decidi estudar com ele. Mas, de facto, a presenća de Fernando Gil “em palco”, o modo apaixonante como ensinava e vivia a Filosofia foi determinante, inclusivamente, na minha poesia, já que o meu segundo livro: Monadologia Breve, é uma tentativa de exprimir como eu sentia o pensamento de Leibniz, sobretudo o da Monadologia. Foi um livro completamente inspirado nessa descoberta esfusiante de Leibniz através do génio de Fernando Gil.

 

4 – O que irá abordar na sua comunicaćčo?

A minha comunicaćčo é intitulada “ O excesso como boa proporćčo”. Aqui abordarei a minha relaćčo de trabalho com Fernando Gil e o modo como o seu tratamento da evidźncia me foi útil para o doutoramento sobre a relaćčo causal na percepćčo. Basta dizer que, no Traité de l’évidence, Fernando Gil considera que, juntamente com a linguagem, a percepćčo é a outra estrutura natural da evidźncia. Abordo, mais particularmente, a relaćčo entre a economia perceptiva e a marca excessiva que constitui a evidźncia.

 

 

 

1 - Que relŹveriez-vous  de la personnalité de Fernando Gil  ?

 

La bonne question serait : y a-t-il un trait qui ne soit pas relevant dans la personnalité de Fernando Gil ?

La force de sa personnalité était due peut-źtre ą la complexité de celle-ci : il avait un tempérament passionné, tout en étant extrźmement rigoureux et objectif. Suivant spontanément ses intuitions tout en les critiquant avec austérité. Il était aussi généreux dans les éloges de caractŹre académique, qu'extrźmement dur et exigeant. Espérait toujours, était toujours au-delą du aujourd'hui, toujours dans un processus de recherche. Dans le domaine de la recherche, son univers ne connaissait pas de repos. Fernando Gil était infatigable et captivant, vu qu'il abordait de multiples thŹmes dans le domaine des savoirs avec connaissance et passion. Il avait simultanément  une vision panoramique et celle du détail infime. Peut źtre que ce qui, pour moi, a le plus compté dans la personnalité de Fernando Gil, a été la vocation du savoir ą tout prix.

 

 

 

 

 2 - Quelle est ą votre avis sa plus grande contribution pour le développement de la recherche académique et de la pensée au Portugal ?

 

Aussi bien son oeuvre, que le goět pour le débat public des idées et la coopération avec d'autres chercheurs, comme par exemple la création du Cabinet de Philosophie de la Connaissance, la coordination de colloques, séminaires et revues, telle que la Revista Analise. Le fait de vivre entre deux cultures, la constante circulation entre le Portugal et l'étranger, ont contribué ą son rôle de chercheur de culture et de la philosophie comme culture, détaché des panoramas locaux.

Cette circulation se remarque aussi dans son oeuvre qui établit des croisements entre moments et espaces de savoirs, sans pour autant laisser de réinterpréter la pensée portugaise.

Dans ce sens, je crois qu'il a renouvelé la pensée portugaise, en l'interrogeant et en l'étendant aux sciences et ą la littérature, ou ą la langue, et en l'ouvrant ą la coopération avec d'autres scientifiques.

 

Pour le développement de la recherche académique, son apport se mesure aussi par les personnes qu'il a fait converger autour de la recherche.

 

 

 

 

3 - Quand et comment l'avez-vous connu ? Vous a-t-il marqué de faćon décisive ?

 

En effet, Fernando Gil m'avait déją marquée avant de le connaĒtre comme professeur de maĒtrise et professeur de référence du Master et du Doctorat. C'est aprŹs avoir connu son travail et son intérźt pour les domaines scientifiques que j'ai décidé d'étudier avec lui. Mais, en effet, la présence de Fernando Gil « sur scŹne », sa faćon passionnelle d'enseigner et de vivre la philosophie a été déterminante, y compris dans ma poésie, vu que mon deuxiŹme livre : Monadologia Breve, est une tentative d'exprimer la faćon dont je sentais la pensée de Leibniz, surtout celle de Monadologia. Un livre complŹtement inspiré par cette découverte éblouissante de Leibniz ą travers le génie de Fernando Gil.

 

 

 

 

4 - Quels thŹmes aborderez-vous dans votre communication ?

 

Ma communication s'intitule « L'excŹs comme bonne proportion ». Je ferai référence ą ma relation de travail avec Fernando Gil et la faćon dont son traitement de l'évidence m'a été utile pour mon doctorat sur la relation causale dans la perception. Il suffit de dire que, dans le Traité de l'évidence, Fernando Gil considŹre que conjointement au langage, la perception est l'autre structure naturelle de l'évidence. J'aborde plus particuliŹrement la relation entre l'économie perceptive et la marque excessive qui constitue l'évidence.

 

 

 

 

 

entretien paru dans Jornal de Letras, Artes e Ideias, nľ966, 10-23 octobre, 2007, ą l'occasion de la
”Jornada de Homenagem a Fernando Gil”, octobre 2007

 

Rosa Alice Branco est professeur de Psychologie de la Perception et de Culture Contemporaine ą l’ École Supérieure d’Arts et Design de Porto

 

traduction Leonor Vinagre et Daniel Beauron

 

 

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